REPERCUSSÕES DAS POLÍTICAS DE AVALIAÇÃO EXTERNA EM LARGA ESCALA NA SAÚDE MENTAL DOCENTE EM REDES MUNICIPAIS DA PARAÍBA
avaliação externa em larga escala; saúde mental docente; nova gestão pública.
O presente estudo analisa as repercussões das políticas de avaliação externa em larga escala na saúde mental docente em redes municipais da Paraíba. Vinculada à Linha 1 de Pesquisa em História, Política e Gestão Educacionais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a investigação problematiza esses impactos no recorte temporal de 2007 a 2025, balizado pela instituição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Amparada no Materialismo Histórico-Dialético sob a perspectiva do Estado ampliado e da hegemonia de Antonio Gramsci, a pesquisa articula-se teoricamente com a Psicodinâmica do Trabalho de Christophe Dejours e com a psicanálise crítica de Christian Dunker, Vladimir Safatle e Nelson da Silva Júnior, compreendendo o neoliberalismo como gestor do sofrimento psíquico. Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa de campo realizada em três redes municipais com diferentes configurações demográficas e administrativas: Campina Grande (médio porte), Alagoa Nova e Matinhas (pequeno porte). Em cada localidade, selecionaram-se duas unidades escolares mediante o cruzamento de critérios socioespaciais (bairro central versus periferia/zona rural) e de desempenho no IDEB (alto e baixo rendimento). Os sujeitos da investigação são docentes regentes do 2º e 5º ano do Ensino Fundamental (Anos Iniciais), etapas focalizadas pelas avaliações externas censitárias e amostrais. Os dados foram coletados por meio de levantamento bibliográfico, análise documental das legislações educacionais locais (Planos Municipais e PCCRs) e realização de entrevistas narrativas fundamentadas em Fritz Schütze e na abordagem de História de Vida de Ivor Goodson. As análises indicam que as políticas de avaliação externa em larga escala, atreladas ao avanço do gerencialismo e da operacionalização de demais dispositivos, acentuam o sofrimento ético e o esmagamento daquilo que Dejours conceitua como trabalho real pelo trabalho prescrito, tornando o adoecimento docente, segundo Dunker, uma "gramática do sofrimento" inerente à lógica de controle do Estado Avaliador teorizado por Almerindo Afonso, dinâmica que privatiza e individualiza o fracasso ou sucesso escolar em detrimento da autonomia profissional e da organização coletiva do trabalho pedagógico.