COPRODUÇÃO NOS SERVIÇOS EDUCACIONAIS: UMA ANÁLISE DAS ESCOLAS PÚBLICAS VERSUS PRIVADAS
Coprodução; Educação; Escolas Públicas; Escolas Privadas; Participação
A coprodução educacional envolve a participação de gestores, professores, estudantes, famílias e comunidade na formulação, execução e avaliação dos serviços escolares. Esta dissertação teve como objetivo analisar como a coprodução se manifesta em escolas públicas e privadas. Organizada em três artigos, a pesquisa combinou revisão sistemática da literatura e estudo qualitativo comparativo realizado em duas escolas públicas e duas privadas de Ensino Médio de Campina Grande–PB, com entrevistas semiestruturadas, grupos focais, observação não participante, pesquisa documental e análise de conteúdo. A revisão evidenciou predominância de estudos sobre instituições públicas e escassez de investigações comparativas e sobre escolas privadas. Os achados empíricos demonstraram que a coprodução ocorre nos dois contextos, porém assume configurações distintas. Nas escolas públicas, destacou-se por mecanismos formais de gestão democrática, representação estudantil, parcerias institucionais e ações comunitárias; nas privadas, prevaleceram canais diretos de comunicação, acompanhamento individualizado e maior aproximação com as famílias, embora com participação predominantemente consultiva. As práticas concentraram-se sobretudo na co-entrega e na co-avaliação, enquanto a participação nas decisões estratégicas e no planejamento permaneceu mais limitada. Entre os efeitos desejáveis, sobressaíram aprendizagem ativa, desenvolvimento de habilidades pessoais, interação escola-comunidade, trabalho em equipe, comunicação e confiança. Como fatores limitantes, identificaram-se burocracia, assimetrias de poder, exigências de tempo e comprometimento, trabalho emocional e necessidade de capacitação. Conclui-se que a coprodução fortalece a gestão e as relações escolares, mas depende da ampliação do poder decisório dos usuários e da qualificação dos espaços participativos.