Determinantes epidemiológicos do tumor venéreo transmissível canino no Nordeste do Brasil: percepções de uma análise retrospectiva de caso-controle.
TVTc; Cães; Epidemiologia; Neoplasia; Oncologia; Prevalencia; Risco
O tumor venéreo transmissível canino (TVTC) continua sendo uma neoplasia prevalente em diversas regiões do mundo, particularmente em áreas com grandes populações de cães errantes. Este estudo teve como objetivo identificar fatores demográficos e ambientais associados à ocorrência de TVTC por meio de um estudo caso-controle envolvendo 89 casos confirmados de TVTC e 1243 controles. As variáveis avaliadas incluíram faixa etária, sexo, estado reprodutivo, raça, porte, ambiente de vida, acesso à rua e categoria de peso. Estatísticas descritivas, testes qui-quadrado e regressão logística multivariada foram aplicados para determinar as razões de chances ajustadas (OR) e seus intervalos de confiança de 95%. A análise do qui-quadrado revelou associações significativas para sexo, raça, porte, acesso à rua, idade e categoria de peso, enquanto o estado reprodutivo e o ambiente de vida não foram significativos. No modelo multivariado, o acesso à rua emergiu como o preditor mais forte, com cães com acesso irrestrito ao exterior apresentando chances marcadamente maiores de desenvolver TVTC. Cães sem raça definida, cães de porte médio e animais adultos ou idosos também demonstraram risco ajustado aumentado. Esses achados reforçam a relevância epidemiológica do comportamento de vida livre e do manejo populacional em regiões onde a TVTC permanece endêmica. Além de confirmar fatores de risco já conhecidos, o estudo destaca a importância de integrar o perfil demográfico às estratégias de controle locais. A identificação de grupos de alto risco pode embasar iniciativas mais eficazes de vigilância, prevenção e diagnóstico precoce, principalmente em comunidades com acesso limitado a cuidados veterinários. De modo geral, este trabalho contribui com informações epidemiológicas atualizadas sobre a dinâmica da TVTC e ressalta a necessidade de intervenções de saúde pública direcionadas para mitigar a disseminação da doença.